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9.5.09

O pedaçinho perdido

(Manoel Filho)

Há anos atrás, a vida deu-me um privilégio que me orgulhou até a segunda semana de maio de 2009. Isto porque o perdi por designos muito maiores e, por vezes, incompreensíveis - a morte física de uma bela e forte alma. Por não acreditar em coincidências, atribuo a sua presença em meu mundinho pessoal como forma de ampliar mundos. E claro, mais o meu do que o dela.
A História é iniciada em um ponto de Salvador, Bahia, que adoro estar: a praça Castro Alves. Sob o pretexto de tirar uma dúvida ela se aproximou com seu vestido branco, estilo indiano, e um belo torço vermelho ao redor da cabeça. E aqui pra nós, não havia como não a notar. Isto por apresentar uma figura física bem proporcional, beirando os ideais de Vênus e que inspirava uma paz e tranqüilidade que só a vi romper em seus últimos dias de existência física por serem acompanhados de um implacável sofrimento.
O tempo, o espaço e as circunstâncias conspiraram e nos aproximaram de uma maneira tão forte que éramos capaz de adivinhar os pensamentos um do outro. Mas ao contrário das primeiras necessidades carnais, em alguns poucos momentos que aconteceram, uma relação muito legal se firmava baseada na afetividade e solidariedade.
E apesar da dinâmica da vida, nos mantemos unidos. Viagens, encontros, compromissos e falta de tempo não conseguiram afastar definitivamente um do outro e sempre voltávamos ao ponto de equilíbrio no nosso forte entrosamento espiritual.
Em todos os piores e melhores momentos ela sempre estava presente de uma ou outra forma. Houve perdas grandes na vida pessoal e afetiva. A mão por trás era invariavelmente a dela – alegre, fiel, consoladora, afetiva e supridora.
O tempo passou e um único som do telefone me assustou e deixou apertado meu coração. A sensação era de que algo iria acontecer e que me desequilibraria por um tempo e ao mesmo tempo me transmitia uma paz e uma serenidade fantástica(Mistérios celestiais?). Fosse como fosse, corri e em poucos segundos os conflitantes sentimentos me levaram direto ao encontro do telefone e a ouvir uma voz firme ir tornando-se fragilizada e afônica. Não deu outra. Fui ao seu encontro e ela confessou que estava indo embora. Contudo não era para outro estado, mas para outro patamar de uma continuação de vida.
O sofrimento final doía muito tanto para aquele belo ser humano quanto para mim. Uma doença detectada após o período de maior chance de cura a levou.
Enfim, resta-me desejar-lhe paz e luz na nova vida porque a minha demorará a equilibrar-se e, com certeza, jamais será a mesma sem a tua presença. Obrigado pelos teus ensinamentos e por ter deixado um pouco de ti comigo minha doce e meiga amiga-irmã. Axé

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