(Makulè)
No início os seres humanos para
poderem sobreviver necessitavam do grupo. E era a força do grupo que os
mantinha unidos e fortes para combater e se proteger dos perigos de estar vivo.
Com o decorrer do tempo alguns começaram a se destacar, pela sua força ou
inteligência ou ambos, dos demais componentes do grupo. Daí os que se consideravam
menos aptos iniciaram o processo de transferência de responsabilidades de si e
di grupo para um ou alguns que se destacavam.
E essa forma de governo deu certo até o ponto em que a força
de um grupo sobrepujou os demais grupos existentes, constituindo-se assim a
diferença entre os dominadores e os dominados em um grupo maior.
No aperfeiçoamento do sistema e
com a civilização cada vez mais próxima de uma realidade imediata, os homens
começaram a eleger aqueles que iria governar para conquistar o bem comum maior
do grupo. Entretanto, com o poder e a força juntos apenas um era o maior dos
dominantes e, portanto, aquele que determinava o que os outros faziam ou
deixavam de fazer. Com isso, o lado da força e da proteção do grupo ampliava e
se tornava conveniente levar a outros grupos a dominação e a apropriação dos
seus preciosos tesouros. E assim o foi. Os grupos mais fortes dominavam e
sobrepujavam os grupos menores ou menos organizados e dois caminhos se abriam
para eles: a escravização ou a subserviência. Ou em outras palavras o homem
dominava o outro homem.
Separados por força e poder o grupo dominante criou então
artifícios para a sua própria manutenção do poder ou de seus leais amigos ou de
sua própria família. Dessa maneira os reis deveriam ter qualidades que não
apenas superasse os outros mortais, mas que de alguma forma os aproximasse mais
e mais do divino ou em último grau o tornassem o próprio divino. Então, a
partir disso, o homem se tornou não apenas a imagem e semelhança de Deus, mas o
próprio Deus. Um Deus de carne e osso e com poderes de vida e de morte sob os
seus semelhantes.
Mas o ser humano tem uma
capacidade ilimitada e inexplorada quando o tema é sobreviver e viver. Assim
sendo, começaram às disputas entre os grupos que dominavam e os que não queriam
ser mais um povo dominado por outro povo ou por outro ser humano. Obviamente
muitas vidas foram ceifadas nesse processo para só depois aniquilar-se aqueles
que chamavam a si próprios de deuses.
A linha do tempo é cruel para o
ser humano pela própria existência de outro ser humano. Esse processo de
civilização não é cíclico e nem estático, mas o é dinâmico e proativo, seguindo
caminhos que são construídos no desenvolvimento ou no retrocesso da história
dos seres humanos. Contudo, a ideia de reis, para alguns, permaneceu viva e
muitos mecanismos foram criados para a sua manutenção. Um deles foi o poder do
conhecimento. Quem conhece tem poder e quem ignora sofrerá com os que tudo
sabem. Por isso, ficou determinado que as profissões a serem aprendidas deveriam
ser estratificadas e divididas de acordo com o que um grupo, agora chamado de
elite ou burgueses, queria. Nessa linha de pensamento os que detinham o poder
do conhecimento e os alicerces do poder financeiro poderiam ocupar cadeiras
preponderantes para o desenvolvimento e a manutenção do “status quo” existente.
Mas como já tinha falado
anteriormente, os seres humanos tem uma grande capacidade adaptativa e de
moldar-se aos seus próprios interesses. Nas lutas que existiam entre os
dominantes e os dominados, esperava-se que aqueles que fossem dominados, ao se
tornarem dominantes, dividissem o poder em comum acordo com todos os outros
semelhantes seus. Isso porque com as forças do mesmo sentido e mesma direção, a
resultante seria sempre acrescida e, por conseguinte, melhor e com maior ação e
irradiação no grupo.
Até que se pensou nisso. Mas o
ser humano, além da busca pelo seu errar menos, ao mesmo tempo quer
beneficiar-se. E isso dá um embate entre forças de sentidos opostos, que terá
como resultante a sua diminuição. Diminuição essa que beneficiará os mesmos em
detrimento dos outros poucos. Enfim há de se pensar e repensar no homem porque
na atualidade o que se observa é que o poder do início da civilização continua
tornando o homem, o lobo do homem. (2012).