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12.11.10

Evolução de atitudes nas mulheres?

(Manoel Silva Filho)
   Eu fiquei atônito porque nunca li uma besteira maior e pensei já estar livre disso. Foi um texto onde os conflitos femininos eram quero me casar, quero ter filhos e estou indecisa e muito choro. E isso acompanhado da resposta de não medir e apenas viver.
   Pense o porquê da minha irritação e perpeplexida, não apenas por estar no século XXI:
1- Só se adquire conhecimento após pesquisa.
2- Só se aplica o que aprendeu se experimentar e comprovar. Se não comprovar novas experiências.
3- No final se descobre que as maiores preocupações nunca interessaram a ninguém. Apenas alimentavam as próprias neuras. e ninguém é insubstituível em qualquer esfera social, pessoal ou familiar.
   E quem acha que pode medir o amor, medir a felicidade, medir a tristeza ou qualquer loucura assim, precisa se tratar ou está fazendo faculdade de Ciências Matemática e não está aguentando o curso. Por isso a Biologia é tão importante e sua maior lição é seja egoísta ao ponto de viver com felicidade. Simplesmente assim.
Quanto ao apelo de ser mãe. É uma decisão pessoal e só implica no nascimento de um novo ser, que deverá ser amado.
   No reino animal não há preocupação com a manutenção dos machos e, em alguns casos, das próprias fêmeas. Feito o programado pela manutenção da espécie, a vida apenas segue dia após dia. Se não queres dar tua contribuição, terminarás sem bando, isolado ao "lhéu da sorte" ou sendo mais humano em encontrinhos com pessoas que restaram e que se tornaram ocres ou incolores, e isso na melhor hipótese. Conheço vários casos assim.
   Por tudo isso, apenas uma conclusão se há diminuição de nascimento é a volta do ciclo da repressão feminina. Só que dessa vez, além das mulheres não estarem segurando sua própria evolução de liberdade pessoal, são elas próprias seus piores repressores, seguindo-se bem de pertinho da família e da religião. E o que mudou então com a revolução feminina? Apenas o repressor ou conversar temas antes masculino ou xingar ou manter várias relações sexuais?
   Assim, tentem me segurar e não conseguirão, porque nos meus valores incluem-se à busca pela felicidade e a total liberdade de atitude e de escolhas. E se achas que isso não dá certo, experimente. Corte o cordão umbilical, mande tudo para uma porra (me desculpe) e vá apenas viver. No princípio haverá faltas e depois se observará que tudo se acomodou e que as responsabilidades anteriores 90% não eram suas e que depois disso sorrir será um tema constante e companheiro de sua existência.

19.6.10

A força das palavras

    Axé é uma palavra de origem Yorubá e significa paz-força, ao mesmo tempo.
   O interessante na língua Yorubá é que além da sonoridade, eles conseguem resumir várias palavras em uma única. Mas nós de língua portuguesa também não ficamos tão atrás assim. Dessa forma existem, só de saída, duas palavras que são fantásticas:
    - a primeira saudade, que só existe em nossa língua e é intraduzível por ter várias formas de entendimento e interpretação em outras línguas;
      - a segunda é amor, esta existe com outras formas de escrita, mas aqui significa saudade, carinho, doação, alegria, Deus e, se continuar falta espaço para dizer-te:
      - Eu a amo como a mim mesmo e morro de saudades de ti.
    
    Que Olorum e as suas designações a convertam não em mártir mas apenas na bela pessoa que chegou a este mundo, lutou pela sua sobrevivência e plantou tanto que a sua colheita será tão rica e progressista que não caberá em um único coração;
     E já que as minhas lágrimas embaçam meus lindos olhos claros é melhor mudar o rumo da prosa.
    E para ampliar meus amares e horizontes, como não sou como ti, vou me mudar para três coração, ser um tricordiano.

27.5.10

A flor da saudade


(Manoel Silva Filho)
    A guerra começou e logo terminou. Desse confronto sobraram escombros. A partir disso é chegada a hora de lamber as próprias feridas e verificar o que sobrou desses escombros.
   Mas, na verdade, os escombros são eu. Perdido e aturdido, sigo meu caminho porque qualquer um me levará a muitos ou lugar nenhum. E isso pouco irá mudar o que passou.
   Nesse momento, sinto-me rasgado e violentado pela tua ausência. É dor profunda, saudade intensa, lembranças que sempre terminaram em lágrimas e sentimentos atormentadores. Queria eu poder ter-me ido em teu lugar porque assim poderia, em forma de energia, estar juntinho dela, amando-a apenas. Mas isso não ocorreu e estou só mesmo que acompanhado. E esse sentimento lascivo que não tem freio é pura saudade, carinho, carência e amor.
   Durante tempos passados a vida me impunha um ritmo violento e alucinante, quase sem possibilidades de viver, sentir ou mesmo respirar. Mas, uma mão divina empurrou no meu cotidiano uma mulher traquina, esperta, alegre, amiga, companheira e extremamente livre. E, por assim ser, idas e vindas eram inevitáveis. Hoje, a comparo a uma bela fera solta nas planícies, liberta e senhora de seu destino.
   Em um último encontro, ainda a sinto aqui e agora, os cabelos presos por um lenço na parte superior da cabeça e os cabelos cheios e cacheados soltos ao redor de seu ombro, ela já se dizia cansada e propôs nos resolvermos. Sorrir, gritei, urrei e me infantilizei em uma mistura de alegria, descrença e agradecimento. Pulei, abracei-a, beijei-a e pude entender assim o dizer manjar dos deuses.
   Rebelde e alegre firmamos nosso compromisso ao pôr do Sol quente de outono. Enfim a felicidade era definitiva e eterna. E, por isso mesmo, sem pressa, sendo solvido cada segundo como se último o fosse. E assim as flores se tornaram mais coloridas, o Sol mais intenso, a Lua mais brilhante, as estrelas aumentaram seu número e o ar foi substituído pela felicidade intensa e incansável.
   Mas o que lhe é dado, também lhe pode ser tirado. Ela tentou afastar-me, rompendo com todo aquele quadro de Da Vinci, perfeito, puro, belo e simples em um quadro de terror extremo, frio, insosso, cinza e confuso.
   Irritado sai e isolei-me. No decorrer de alguns dias voltei e descobri o inevitável, algo que eu não tinha poder de ajudar – câncer. E este se infiltrou pelo corpo dela como pelos sentimentos que nutríamos um com o outro. A separação foi para evitar o sofrimento de ambos. Mas isso foi uma posição unilateral, irracional e não compartilhada. E, por isso mesmo, não aceitável porque o sofrimento não é amparo para o amar e ser amado.
   Os dias correram, a vida continuou e uma rosa foi colocada em um jardim perpétuo em forma de saudade daqueles que realmente puderam amar e ser verdadeiramente amado.
   Até um dia porque o amor nos acompanha pela eternidade quando verdadeiro. E até lá enriqueço-me em tê-la, um dia, um minuto ou mesmo um segundo vivido e amado como nunca foi feito em uma única vida. Axé.

28.4.10

Minha Vida é Feminina – Parte I

Minha vida foi sempre cercada por mulheres inteligentes ou carentes ou espertas ou simplesmente amigas. Não importava se negra, loura, morena ou com seus cabelos brancos, elas estavam lá; por vezes, senti-me como um eleito e abençoado por tudo que eles representavam para a aminha curta existência. E, para minha felicidade, em muitos locais estive e mudou apenas as pessoas porque a importância permanecia. Muitos anos se passaram e ainda consigo lembrar-me delas e, confesso, continuo sentindo muitas saudades delas. Algumas apenas em pensamentos, por terem desencarnados, e outras com lembranças suaves, doces, leves e de muitos rostos e muitos sorrisos.
Interessante um dizer de adolescente “a fila anda”. E comigo o espírito de cigano levou ao pé da letra esse pensamento. Andei de norte a sul, de leste a oeste. E por mais que mudasse de endereço, elas estavam lá e sempre prontas a me acolherem e me darem tanto carinho que me sentia sempre em paz, descansado e protegido.
Passados muitos anos, outras mulheres entraram no meu cotidiano. Uma foi chamego que só o Senhor explica. Paixão mesmo, e foi a tal ponto que muitas noites parei para sofrer, pensar nela e pedir proteção para os futuros nenês. Ah! Como tem pessoas belas e com luzes que jamais se apagaram e por mais que a vida nos afaste as ligações são muito fortes. As outras foram também luzes colocadas no meio do caminho. Estas com características fantasticamente diferentes: uma extrovertida, alegre e de bem com a vida, tirando do sofrimento formas de embelezar a vida com suas percepções de mundo; outra com uma seriedade racional e muito moleque, com cara de criança travessa e decidida; a seguinte, carinhosa, romântica, delicada, preocupada e com muito amor para dar; esta agora uma “maluca beleza”, decidida, simples, humilde e amicíssima; e finalmente a de nariz em pé, apaixonante, severa e com um sorriso magnético e acolhedor.
Enfim, minhas mulheres durante esse percurso foram mães, companheiras, protetoras, aconselhadoras, ríspidas com atitudes tomadas por mim, amigas, irmãs e algumas mais que isso.
E foi colocando no papel uma das formas de me expressar e dizer obrigado porque as amo e amo-as, por me deixarem sempre livres, adoro vocês e muitos beijos, paz e harmonia.

6.4.10

"O TEMPO PASSOU E ME FORMEI EM SOLIDÃO"


 José Antônio Oliveira de Resende
Professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura, da Universidade Federal de São João del-Rei.

Sou do tempo em que ainda se faziam visitas. Lembro-me de minha mãe mandando a gente caprichar no banho porque a família toda iria visitar algum conhecido. Íamos todos juntos, família grande, todo mundo a pé. Geralmente, à noite.
Ninguém avisava nada, o costume era chegar de paraquedas mesmo. E os donos da casa recebiam alegres a visita. Aos poucos, os moradores iam se apresentando, um por um.
  – Olha o compadre aqui, garoto! Cumprimenta a comadre.
E o garoto apertava a mão do meu pai, da minha mãe, a minha mão e a mão dos meus irmãos. Aí chegava outro menino. Repetia-se toda a diplomacia.
– Mas vamos nos assentar, gente. Que surpresa agradável!
A conversa rolava solta na sala. Meu pai conversando com o compadre e minha mãe de papo com a comadre. Eu e meus irmãos ficávamos assentados todos num mesmo sofá, entreolhando-nos e olhando a casa do tal compadre. Retratos na parede, duas imagens de santos numa cantoneira, flores na mesinha de centro... casa singela e acolhedora. A nossa também era assim.
Também eram assim as visitas, singelas e acolhedoras. Tão acolhedoras que era também costume servir um bom café aos visitantes. Como um anjo benfazejo, surgia alguém lá da cozinha – geralmente uma das filhas – e dizia:
– Gente, vem aqui pra dentro que o café está na mesa.
Tratava-se de uma metonímia gastronômica. O café era apenas uma parte: pães, bolo, broas, queijo fresco, manteiga, biscoitos, leite... tudo sobre a mesa.
Juntava todo mundo e as piadas pipocavam. As gargalhadas também. Pra que televisão? Pra que rua? Pra que droga? A vida estava ali, no riso, no café, na conversa, no abraço, na esperança... Era a vida respingando eternidade nos momentos que acabam.... era a vida transbordando simplicidade, alegria e amizade...
Quando saíamos, os donos da casa ficavam à porta até que virássemos a esquina. Ainda nos acenávamos. E voltávamos para casa, caminhada muitas vezes longa, sem carro, mas com o coração aquecido pela ternura e pela acolhida. Era assim também lá em casa. Recebíamos as visitas com o coração em festa.. A mesma alegria se repetia. Quando iam embora, t ambém ficávamos, a família toda, à porta. Olhávamos, olhávamos... até que sumissem no horizonte da noite.
O tempo passou e me formei em solidão. Tive bons professores: televisão, vídeo, DVD, e-mail... Cada um na sua e ninguém na de ninguém. Não se recebe mais em casa. Agora a gente combina encontros com os amigos fora de casa:
– Vamos marcar uma saída!... – ninguém quer entrar mais.
Assim, as casas vão se transformando em túmulos sem epitáfios, que escondem mortos anônimos e possibilidades enterradas. Cemitério urbano, onde perambulam zumbis e fantasmas mais assustados que assustadores.
Casas trancadas.. Pra que abrir? O ladrão pode entrar e roubar a lembrança do café, dos pães, do bolo, das broas, do queijo fresco, da manteiga, dos biscoitos do leite...
 Que saudade do compadre e da comadre!
(P.S. - Não é um texto de minha autoria, mas eu gostaria que o fosse. Parabenizo ao professor e espero estar divulgando o seu trabalho)

8.3.10

O Cofrinho Rosa e o Cofrinho Azul: lições de vida e de existência

(Manoel Silva Filho)
Um cofrinho azul me foi dado quando ainda era muito jovem. Nele coloquei diversas moedas com o objetivo de enchê-lo e, consequentemente, de ficar muito rico.  Nessa inocência de objetivo de vida, inicialmente, aprendi que só poderia colocar no cofrinho apenas e tão somente “coisas” de valor. E com o passar do tempo o cofrinho se encheu.
Lá um belo dia quando manuseava o cofrinho, o mesmo caiu e expôs toda a riqueza armazenada durante um longo período de tempo.
No princípio fiquei completamente desesperado porque tudo meu estava sem um local próprio e, por conseguinte, à mão de outras pessoas, que por sua vez poderiam levar todas as minhas ricas “coisas”. Para acalmar-me substitui-se o danificado por outro novo.
Evidentemente que outros cofres me foram dados e, logicamente, com o decorrer do tempo, ganhei outros em substituição e a normalidade de ter outro me fez perder o medo da subtração sem consentimento.
Nos dias atuais, continuo cultivando cofrinhos, mas não apenas para colocar moedas e cédulas de dinheiro. Cultivo sim, cofrinhos de amigas e amigos. Alguns não tão grandes e outros já bem vividos e compartilhando as minhas “riquezas” e claro, eu a deles.
O cofrinho de dinheiro me deu o direito de comprar “coisas”. Já o cofrinho de amigos e amigas me ofereceu valores inestimáveis e, por vezes, sem preço. Tais como: carinho, afeição, felicidade, cumplicidade, solidariedade, a “força”, o amparo, os conselhos e tantas outras ações que me empurram a um bem viver de muitas esperanças e porque não de ser um “maluco beleza” para a vida e para a própria existências compartilhada.
Esses cofres de relações positivas e que me mantém em alta são, na verdade, pessoas que participam da minha história, da minha vida e das minhas lutas. Dentre esses componentes da rede de ligações um segmento me faz respirar sempre profundamente- as minhas queridas e meus queridos estudantes. Isto porque no princípio somos lida e labor. Mas com o tempo não só as rugas marcam nosso viver, também os vínculos criados com esses maravilhosamente terríveis seres humanos.
Neste cofrinho quebrar não significa destruir e muito menos assusta que haja perdas. Isso é devido ao fato de que valores morais, éticos e de convivências jamais poderão ser quebrados ou perdidos, pois fazem parte de nossas vidas tanto individual quanto grupal. Por isso mesmo que ao vê-los partir o cofrinho azul ou o cofrinho rosa apenas nos faz testemunhar o quanto é importante a minha profissão e o tanto que aprender nos transcende ainda que vivos.
Por fim, os cofrinhos azuis ou rosas significam poupança de valores e de vida, e, ao quebrarem-se, amadurecimento consciente e crítico além de liberdade em formação. Obrigado por não me largarem e tenham certeza de que sempre estarei zelando por preces ou pensamentos ou ainda ações na integralidade da felicidade de suas jornadas individuais e coletivas.