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22.12.09

Ela

(Manoel Silva Filho)
Tá difícil ver você
Sem desejar admirá-la
Tá difícil ver você
Sem verdadeiramente enxergá-la
Mulher... Bela... Mulher
Sábia no silêncio
Expressiva no olhar.

Tá difícil falar com você
Sem ouvir a sensatez
Tá difícil falar com você
Porque a ausência retira o viver
Tá difícil falar e ver você
Porque és complemento
Onde a beleza e a pureza
É o seu maior alento.

Tá difícil não vê-la
Tá difícil não ouví-la
Tá difícil afastar-me
Tá difícil não admirá-la

Vê-la de vestido amarelo
Vê-la de baton natural
É vê-la na plenitude
De uma beleza sensual
Que não lhe pode ser tirada
Porque contigo já nasceu
E foi obra do bom Deus.



13.12.09

O despertar da Energia

Hoje eu acordei e senti que o dia estava diferente. Levantei-me. E, ao caminhar, senti um calor que envolvia meu corpo como um presente de mais existência dada pelo Sol.
Nesse lugar urbano onde me encontrava, predominantemente de asfalto e concreto, observei em um fio telefônico um pássaro.  Este se uniu a outro e mais outro. E assim seguiu-se somando a um número que eu, depois de algum tempo, não conseguia mais determinar. Era impressionante como os pássaros desse lugar insistiam em cantar sem parar e, ao mesmo tempo, em me encantar euforicamente também. E, mesmo ao deslocar-me, eles, traquinos, mudavam de lugar e o canto parecia um coral multiplicando-se, aprimorando-se e cada vez mais lindo.
No decorrer do caminho eu continuava aquecido em conseqüência de um Sol pacífico, porém forte e incandescente sem, contudo, me causar agruras. E, tal como um manto de uma mãe protegendo o seu filho em uma terra gélida, esse Sol evita as sensações extremas de frio e calor, fazendo com que a alegria dos pássaros se somasse a um prazeroso bom dia. Mesmo assim, com essa força inquestionável do poderoso astro, ainda consegui sentir um sopro de um vento, que me parecia cooperar para que a temperatura agradável e acolhedora ficasse em harmonia com o canto do coral de pássaros expressando sons e vidas de forma uníssona.
Mas assim como os ponteiros do tempo eu seguia em frente e me sentia como um filho sendo conduzido por energias que me alimentavam e me direcionavam. Nos passos posteriores veio-me a certeza de pertencer a um mundo vivo, mesmo quando julgado inanimado. Em verdade não me sentia mais humano, mas energia pura e cujas sensações percebidas me tornavam um todo, mesmo com a consciência de ser parte do nada. Afinal o nada é o tudo esvaziado preparando-se para ser de novo o tudo. E esse ciclo infinito agita e transforma no seu passar. A natureza não é apenas mãe, mas um conjunto de energias que mudam, transformam e expressam vida em todos os pontos.
E essa energia, à medida que eu avançava mais um trechinho do caminho, que não me parecia mais ter fim, me dava a impressão que era redimensionada. E esse redimensionamento iniciava uma consciência não mais local, terra, ar, fogo e água, mas planetária. Contudo ao esvaziar-se a sensação era ainda muito maior e transcendente. Nesse ponto a experiência de um caminhar atingia dimensões cósmicas e era eletrizante e, por vezes, dolorida.
A viagem teve muitas paradas, mas um sábio já dizia que fruta só dá no tempo certo. E, ao retornar a minha própria caminhada de vida, me senti e me percebi o quão mínimo sou ou somos e conclui nesse mesmo despertar de uma consciência transcendente, o quão, ao mesmo tempo, somos influentes e importantes nessa teia e insignificante isoladamente no nosso corpo.
Ser livre, alçar vôo por vários locais não é apenas a sensação de liberdade, de maturidade, mas de vida em constante evolução à busca de suas energias equivalentes para no final, desintegrar-se, tornar-se nada e transmutar-se. E, assim ciclicamente fazer parte da força maior – a força cósmica da verdade e do conhecimento absoluto.