Manoel S. Filho
Mesmo tendo autores que insistem no aspecto da questão social, a ideologia da miscigenação democrática é um produto recente da chamada História do Brasil. A princípio o negro não existia enquanto cidadão, tratando-se apenas de uma peça com valor comercial. Fato este mudado a partir da abolição da escravatura e com os primeiros estudos sobre os negros que se iniciaram com Nina Rodrigues. Mesmo assim, a busca da identidade era feita por uma linguagem que exprimia a realidade social de um certo momento histórico.
Dessa maneira, no O Guarani, movimento romântico, há uma preocupação com a fusão do índio (idealizado) com o branco, deixando de lado o negro, que naquele momento era identificado apenas como força de trabalho. E, como tal, destituído integralmente da realidade de cidadania. O tempo passou. E mesmo após a abolição a escravidão continuou por força de leis que privilegiava apenas alguns. Muitas lutas depois e muitas vidas ceifadas no decorrer dessa sangrenta história, surge o poder paralelo. Este poder que é extremamente perigoso é formado por muitos miscigenados e não miscigenados. E a conclusão final é sempre a mesma: Espaço social que não é ocupado pelo Estado, buscando harmonia, justiça e igualdade para todos, há quem ocupe e de maneira muito rápida. Brasil ame-o ou deixe-o. E ninguém o deixou. Ainda há esperança.
Nenhum comentário:
Postar um comentário