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14.5.12

Reis e Plebeus


  (Makulè)

No início os seres humanos para poderem sobreviver necessitavam do grupo. E era a força do grupo que os mantinha unidos e fortes para combater e se proteger dos perigos de estar vivo. Com o decorrer do tempo alguns começaram a se destacar, pela sua força ou inteligência ou ambos, dos demais componentes do grupo. Daí os que se consideravam menos aptos iniciaram o processo de transferência de responsabilidades de si e di grupo para um ou alguns que se destacavam.
E essa forma de governo deu certo até o ponto em que a força de um grupo sobrepujou os demais grupos existentes, constituindo-se assim a diferença entre os dominadores e os dominados em um grupo maior.
No aperfeiçoamento do sistema e com a civilização cada vez mais próxima de uma realidade imediata, os homens começaram a eleger aqueles que iria governar para conquistar o bem comum maior do grupo. Entretanto, com o poder e a força juntos apenas um era o maior dos dominantes e, portanto, aquele que determinava o que os outros faziam ou deixavam de fazer. Com isso, o lado da força e da proteção do grupo ampliava e se tornava conveniente levar a outros grupos a dominação e a apropriação dos seus preciosos tesouros. E assim o foi. Os grupos mais fortes dominavam e sobrepujavam os grupos menores ou menos organizados e dois caminhos se abriam para eles: a escravização ou a subserviência. Ou em outras palavras o homem dominava o outro homem.
Separados por força e poder o grupo dominante criou então artifícios para a sua própria manutenção do poder ou de seus leais amigos ou de sua própria família. Dessa maneira os reis deveriam ter qualidades que não apenas superasse os outros mortais, mas que de alguma forma os aproximasse mais e mais do divino ou em último grau o tornassem o próprio divino. Então, a partir disso, o homem se tornou não apenas a imagem e semelhança de Deus, mas o próprio Deus. Um Deus de carne e osso e com poderes de vida e de morte sob os seus semelhantes.
Mas o ser humano tem uma capacidade ilimitada e inexplorada quando o tema é sobreviver e viver. Assim sendo, começaram às disputas entre os grupos que dominavam e os que não queriam ser mais um povo dominado por outro povo ou por outro ser humano. Obviamente muitas vidas foram ceifadas nesse processo para só depois aniquilar-se aqueles que chamavam a si próprios de deuses.
A linha do tempo é cruel para o ser humano pela própria existência de outro ser humano. Esse processo de civilização não é cíclico e nem estático, mas o é dinâmico e proativo, seguindo caminhos que são construídos no desenvolvimento ou no retrocesso da história dos seres humanos. Contudo, a ideia de reis, para alguns, permaneceu viva e muitos mecanismos foram criados para a sua manutenção. Um deles foi o poder do conhecimento. Quem conhece tem poder e quem ignora sofrerá com os que tudo sabem. Por isso, ficou determinado que as profissões a serem aprendidas deveriam ser estratificadas e divididas de acordo com o que um grupo, agora chamado de elite ou burgueses, queria. Nessa linha de pensamento os que detinham o poder do conhecimento e os alicerces do poder financeiro poderiam ocupar cadeiras preponderantes para o desenvolvimento e a manutenção do “status quo” existente.
Mas como já tinha falado anteriormente, os seres humanos tem uma grande capacidade adaptativa e de moldar-se aos seus próprios interesses. Nas lutas que existiam entre os dominantes e os dominados, esperava-se que aqueles que fossem dominados, ao se tornarem dominantes, dividissem o poder em comum acordo com todos os outros semelhantes seus. Isso porque com as forças do mesmo sentido e mesma direção, a resultante seria sempre acrescida e, por conseguinte, melhor e com maior ação e irradiação no grupo.
Até que se pensou nisso. Mas o ser humano, além da busca pelo seu errar menos, ao mesmo tempo quer beneficiar-se. E isso dá um embate entre forças de sentidos opostos, que terá como resultante a sua diminuição. Diminuição essa que beneficiará os mesmos em detrimento dos outros poucos. Enfim há de se pensar e repensar no homem porque na atualidade o que se observa é que o poder do início da civilização continua tornando o homem, o lobo do homem. (2012).

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